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DETALHES - Notas e Notícias


Prevenção e Tratamento do Câncer: O Papel da Nutrição Hoje e Amanhã

Data:            17/06/2010
Autor(a):       Redação Nutritotal
Fotógrafo:    Camila G. Marques

No segundo dia de congresso mais uma rodada de conferências, simpósios e painéis sobre os variados aspectos da nutrição e câncer tiveram platéia garantida.

O Teatro Raul Cortez ficou lotado durante o simpósio “dieta e carcinogênese de câncer de cólon”, presidida pela Profa. Dra. Angelita Habr Gama, que é a coordenadora do Programa de Prevenção do Câncer Colorretal no Brasil.

Quem iniciou o simpósio foi o Prof. Dr. Benedito Mauro Rossi, que discutiu o desenvolvimento do câncer. A ação de agentes físicos, biológicos e químicos pode fazer com que uma célula normal vire uma célula “transformada” que desenvolverá um tumor. “Apenas 10% dos casos de câncer são hereditários. Os outros 90% são desenvolvidos devido à exposição ambiental, sendo obesidade, fumo e álcool os principais fatores de risco. Desta maneira, a dieta representa um papel bastante importante na prevenção do câncer”, afirma.

Já a nutricionista Gabriela P. C. Oliveira explicou que as carnes vermelhas (de vaca, porco e cordeiro), as carnes processadas (curada, defumada, salgada) e os embutidos (como o presunto e o salame) contêm nitratos e nitritos que se convertem no corpo em compostos N-nitrosos, que são fatores de risco para o desenvolvimento de câncer. A cocção da carne a temperaturas muito elevadas (como no churrasco, por exemplo) produz aminas heterocíclicas e hidrocarbonos aromáticos policíclicos – compostos mutagênicos e carcinogênicos. O consumo excessivo de carnes vermelhas aumenta em 24% o risco para o desenvolvimento de um câncer de cólon, já as carnes processadas contribuem em 16%. A recomendação para ingestão segura de carnes vermelhas é uma quantidade inferior à 500 g por semana (o equivalente a 3 bifes médios) e as carnes processadas devem ser evitadas. “Mas não basta apenas reduzir os riscos, e sim, aumentar os fatores protetores, como aumento do consumo de frutas e vegetais”, conclui a nutricionista.

A palestrante Luiza Kent Smith, PhD em nutrição pela faculdade do Canadá, mostrou diversos estudos científicos que chegam a uma conclusão comum: excesso de gordura corporal e, particularmente gordura abdominal, é fator de risco para o desenvolvimento de câncer colorretal. Há aumento de 15% do risco para cada 5 kg/m2 de elevação do índice de massa corporal (relativa à gordura). O aumento de medidas corporais também é prejudicial à saúde. Para cada acréscimo de 2,5 cm na circunferência da cintura (CC), há aumento dos riscos para o câncer em 5% e, cada 0,1 a mais da relação cintura-quadril (RCQ) reflete em 30% a mais de chances para o câncer colorretal. As medidas de CC e RCQ devem estar dentro dos padrões de normalidade, que são < 102 cm e 0,9 respectivamente para homens, e < 88 cm e 0,85 para mulheres.

O Prof. Dr. Remy Meyer finalizou este simpósio dizendo que há uma relação inversa entre o consumo de fibras dietéticas e o câncer colorretal. As fibras aumentam o volume fecal, aceleram o trânsito intestinal, diminuem o pH fecal e se ligam aos ácidos biliares. Mas, talvez a principal função protetora seja o resultado da fermentação das fibras solúveis em ácidos graxos de cadeia curta, com maior relevância para o butirato, que age na apoptose. “Os estudos afirmam que quanto maior o consumo de fibras dietéticas menor o risco para câncer. Cada aumento em 13 g diárias de fibras resulta na diminuição de 31% de riscos para o desenvolvimento do câncer de cólon”, conclui o professor.

Para tratar do tema “dietas enterais e suplementos especializados para câncer”, a nutricionista Maria Emília de Souza Febre explicou que esta terapia nutricional (TN) é indicada para pacientes submetidos a tratamento oncológico (com radioterapia e quimioterapia), que se encontram desnutridos e incapazes de ingerir ou absorver os nutrientes em quantidades adequadas por um período longo de tempo. As evidências comprovam que os suplementos orais podem melhorar a ingestão alimentar e prevenir a perda de peso e a interrupção do tratamento. Além disso, pacientes com risco nutricional grave têm o benefício da TN em uma a duas semanas antes de cirurgias de grande porte, e a TN deve continuar no pós-operatório por mais uma semana.

Após discutição dos resultados de diversos estudos científicos com a platéia, a nutricionista conclui que o uso de fórmulas especializadas para pacientes com câncer (por exemplo, as fórmulas imunomoduladoras) reduzem as complicações infecciosas no pós-operatório; reduzem a intensidade da resposta inflamatória em pacientes submetidos a cirurgias abdominais; diminuem o tempo de internação de pacientes submetidos a cirurgias do trato gastrintestinal, pâncreas e cabeça e pescoço, por isso reduzem os custos gerais do tratamento.

Segundo a palestrante, a fórmula polimérica padrão pode ser empregada com segurança e eficácia em TN para pacientes em quimio e radioterapia. Quanto às fórmulas enriquecidas com glutamina, ainda não há dados seguros que indiquem seu uso para estes pacientes. Nos casos de perda de peso progressivo, a suplementação de 2 g/dia com ácidos graxos ômega-3 (isoladamente ou em fórmulas enriquecidas) pode auxiliar na estabilização do peso.

No teatro Raul Cortez houve a ilustre apresentação do Dr. Dan Waitzberg abordando o tema probióticos e simbióticos. Foi retratada claramente a importância da microbiota na saúde do hospedeiro, mostrando estudos convincentes sobre o reconhecimento da microbiota intestinal como um mecanismo ativo de controle de processos infecciosos e da modulação da resposta imunológica. A conclusão foi de que o trato intestinal humano compreende um ecossistema dinâmico e integrado, composto de células epiteliais, de um sistema imune completo e de numerosas espécies de microorganismos que colonizam e protegem essa mucosa. Além disso, o palestrante afirmou que o sistema imunológico humano pode desenvolver respostas a componentes estruturais e metabólicos de várias espécies de microrganismos.






 
 




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